Era uma vez, no tempo em que havia florestas densas, lobos e lenhadores, uma menina órfã de mãe e de pai, que vivia só, na clareira de um desses lugares; tinha de sobreviver apanhando o que pudesse e dependendo da generosidade de uma ou outra pessoa. Quando apanhava coisas da floresta, ou das ruas da vila onde ia de quando em vez, encontrava pedaços de tecido e de outros materiais, e com esses pedaços fez, para si própria, uns sapatos vermelhos. Eram feitos de remendos e restos, mas aqueciam-lhe os pés e faziam o coração saltar de contentamento. Um dia, uma velha senhora, sem filhos nem netos, mas com muito dinheiro, encontrou-a e propôs-lhe que ela fosse viver consigo, sem mais ter de se preocupar com fome ou frio. E a menina aceitou: lavada, penteada, vestida com roupas novas, limpas e quentes, de barriga cheia e aconchegada, sentia-se confortável e segura. Mas todas as suas outras roupas, e até os seus sapatos vermelhos, tinham sido queimados, reduzidos a cinzas, já nada restando deles. E aqui começou a grande aventura desta criança órfã, que a levou para situações insuspeitadas e finais inesperados.
Como todas as boas estórias, esta dá-nos muitas pistas, muitos símbolos, muitas imagens para levar para o nosso mundo interno. A vida trouxe a esta menina uma escolha, sem grande aparência de escolha, e subtilmente, levou-a a momentos chave de atenção.
Quem sabe o resto da estória, sabe que a menina caiu em muitas armadilhas, ao longo do enredo, e embora os sinais de alarme estivessem lá, ela não foi capaz de os detectar.
É isto que nos acontece frequentemente: não somos capazes de perceber os sinais de alarme, ignoramos as armadilhas, deixamo-nos ir atrás de uma fome de alma que não somos capazes de saciar, porque não escutamos essa mesma Alma.
Parar para a escutar parece ser um luxo a que não nos podemos dar. Contudo, talvez seja o único luxo que nos devemos oferecer, diariamente. Aquele que nos vai manter atentos às armadilhas, aos predadores, aos dragões que nos esperam em cada aventura, às batalhas que temos de travar e àquelas de que temos de fugir... Parar para escutar a Alma, é dar-lhe espaço, e é dar-nos um lugar na vida que é o nosso.
Como todas as boas estórias, esta dá-nos muitas pistas, muitos símbolos, muitas imagens para levar para o nosso mundo interno. A vida trouxe a esta menina uma escolha, sem grande aparência de escolha, e subtilmente, levou-a a momentos chave de atenção.
Quem sabe o resto da estória, sabe que a menina caiu em muitas armadilhas, ao longo do enredo, e embora os sinais de alarme estivessem lá, ela não foi capaz de os detectar.
É isto que nos acontece frequentemente: não somos capazes de perceber os sinais de alarme, ignoramos as armadilhas, deixamo-nos ir atrás de uma fome de alma que não somos capazes de saciar, porque não escutamos essa mesma Alma.
Parar para a escutar parece ser um luxo a que não nos podemos dar. Contudo, talvez seja o único luxo que nos devemos oferecer, diariamente. Aquele que nos vai manter atentos às armadilhas, aos predadores, aos dragões que nos esperam em cada aventura, às batalhas que temos de travar e àquelas de que temos de fugir... Parar para escutar a Alma, é dar-lhe espaço, e é dar-nos um lugar na vida que é o nosso.
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