Imagens

Imagens
Dizia Natalie Rogers, filha do ilustre psicólogo Carl Rogers, e também ela psicoterapeuta, que "uma parte do processo psicoterapêutico consiste em acordar a energia vital criativa. Assim, criatividade e terapia sobrepõem-se. O que é criativo é frequentemente terapêutico."
O processo terapêutico, quando realizado de forma sensível e profunda, centrado na pessoa e na sua vivência, consiste numa observação do mundo interno desta, como se tratasse de uma viagem, uma odisseia. Algo a que o viajante se propõe, com o qual se compromete, e para o qual leva uma bagagem tantas vezes pesada e condicionante e um mapa frequentemente desactualizado. O terapeuta é aquele que o acompanha nesta viagem, mais como um observador atento, neutro e compassivo, do que outra coisa. E como em todas as odisseias, é uma viagem largamente incontrolável e que foge ao planeamento, o que, por isso mesmo, a torna desafiante e assustadora. Thomas Moore chama-a de "um tour da alma, profundamente sentido, arriscado e imprevisível". Navega-se num mar desconhecido, onde surgem tempestades alternadas com bonanças, onde se encontram grandes tesouros mas também se luta com monstros sombrios. Mas este território, o mundo da Alma, tem tanto de temeroso como de belo, e uma das mais eficazes ferramentas para o atravessar diz respeito a todas as formas de parar e escutar - a atenção, o silêncio, a meditação, a contemplação - e também às formas de expressar o que se vai encontrando - as imagens, a escrita, a pintura, a poesia, a expressão corporal e dramática, entre tantas outras.
Nem todos, nem sempre, somos capazes de iniciar tal aventura. É preciso despertar em nós esse herói mítico, cuja coragem parece estar adormecida, e deixá-lo partir em demanda. Mas, se o fizermos, por certo descobriremos tesouros magníficos, elixires de longa vida, bençãos a partilhar... Por certo, descobriremos significado e vivermos uma vida com propósito.

Comentários

Mensagens populares